O capitalismo tardio acelera sua esteira rolante, esmagando quem insiste em ver o mundo com as lentes enganosas da idade. A burguesia, em seu frenesi por lucro, não quer mais saber de data de nascimento. Quer é hegemonia cultural dentro de sua própria empresa: uma força de trabalho que tenha introjetado a sua lógica, que seja dócil e produtiva. O que define seu lugar nessa linha de produção não é o ano no seu RG, mas o seu grau de conscientização e preparação técnica para a guerra do dia a dia.
Aqui, invocamos Gramsci: a batalha não é só nas fábricas, mas nas mentes. O profissional que cresce é aquele que conquista espaço na “trincheira” do mercado, desafiando a hegemonia etária que tenta colocá-lo na prateleira. E é aí que a pedagogia de Paulo Freire nos ilumina: os 50+ e 60+ não são “caducos” a serem “reciclados”. Eles são sujeitos de sua própria história, portadores de um saber experiencial profundo. Sua luta é por reconhecimento, um ato de amorosidade e diálogo contra a cultura do descarte.
O futuro do trabalho, portanto, não será dado, será conquistado. Será uma frente única de gerações, onde a práxis dos mais experientes – a ação reflexiva e transformadora – se torna a arma mais poderosa. Quem não entende essa dinâmica de luta, já perdeu.
O sistema, porém, é sutil em sua opressão. Ele exclui disfarçando preconceito em “linguagens de modernidade”. Exige que o profissional 50+ prove incessantemente o que sua trajetória já grita:
Sua competência,
Sua capacidade de adaptação e
Sua relevância.
Enquanto isso, o tempo, aliado cruel do capital, avança. E o mercado? O mercado, na sua cultura do silêncio, finge demência! Omite sua culpa na exclusão e trata a maturidade como irrelevante. O problema nunca foi falta de talento, mas a negação de uma oportunidade justa em uma sociedade de classes que idolatra o novo e descarta o “velho”.
O mercado não exclui quem parou no tempo; exclui quem se recusa a enxergar que a experiência, quando unida à consciência de classe, é revolucionária. A agilidade é exigida, mas a sabedoria é boicotada. É uma contradição brutal do sistema.
E aí entra a minha frase predileta, que é um grito de resistência popular: Rapadura é doce, mas não é mole não. A experiência do profissional 50+ é essa rapadura: doce pelo conhecimento acumulado, sólida pela resiliência, um patrimônio valioso que não se conquista com facilidade. Foi suor, foi luta, foi no batente.
O mercado finge que não é com ele. Mas a gente sabe que é. A luta continua.
Klinger Brito trabalha na TIM S/A e integra a Direção do Sinttel/RN
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