Na manhã desta segunda, dia 27/04, reuniram-se por videoconferência dirigentes sindicais do Rio Grande do Norte, Alagoas, Amapá, Ceará, Roraima e Sergipe e representantes do Sinstal/Feninfra (sindicato patronal), da Icomon Tecnologia e TLP Serviços para dar início às negociações para celebração dos instrumentos coletivos de trabalho para o período de 2026/2027, com data base em 1º de maio. Pelo RN participaram Gilberto Martins e Junior Bezerra.
Na reunião os dirigentes sindicais enfatizaram a expectativa dos trabalhadores para uma negociação rápida, consequente e responsável, que respeite a data base, garanta ganhos reais aos trabalhadores e enfrente a precarização generalizada impulsionada ou patrocinada, no fim das contas, pelas empresas tomadoras dos serviços (operadoras de telecomunicações).
Durante os debates, Gilberto Martins destacou que as empresas não podem mais continuar apresentando propostas com reajustes parcelados e adiados, em troca do pagamento de um abono que não compensa efetivamente os prejuízos dos trabalhadores. Além disso, as empresas devem estar atentas a todo o debate na sociedade quanto a redução da jornada semanal de trabalho, com o fim da escala de trabalho 6×1. E a precarização promovida pelos contratantes precisa ser enfrentada: “Estudo recente do IPEA demonstrou que sete em cada dez trabalhadores celetistas no país têm jornada de 44 horas por semana e ganham, em média, quase 60% menos que os trabalhadores com jornada de 40 horas semanais! Esse é o retrato exato do que experimentam os trabalhadores terceirizados quando comparados com os empregados das operadoras de telecom”.
Na avaliação unânime dos dirigentes sindicais, as operadoras/tomadoras tem se utilizado de prestadoras terceirizadas prioritariamente para reduzir custos trabalhistas e evitar responsabilidades e esse é um problema estrutural central, exigindo soluções negociais e regulatórias/contratuais. No fim das contas, sofrem os trabalhadores com a perda do poder de compra e as próprias empresas prestadoras, com a evasão de mão de obra qualificada.
Neste ponto, o representante do Sinstal/Feninfra destacou a ratificação da Resolução 777 da Anatel, que estabeleceu o “Atesto de Regularidade”, para garantir conformidade com normas de segurança e regulatórias. A própria Feninfra é a entidade de certificação/fiscalização já autorizada. Esse atestado, entretanto, trata de conformidade regulatória, saúde e segurança, mas não substitui cláusulas da convenção coletiva. Neste sentido, o sindicato patronal está buscando construir correspondências ao atestado nos instrumentos coletivos de trabalho.
Sindicato patronal e empresas presentes, por fim, não apresentaram nesta rodada uma proposta de reajuste dos salários nem respostas efetivas às reivindicações dos trabalhadores apresentadas nas pautas enviadas. Uma segunda rodada foi marcada para o dia 12 de maio, quando deve ter já sido divulgado o índice da inflação do período (mai/25-abr/26), cuja expectativa de mercado é de que fique em torno de 4%.
A conjuntura exige das trabalhadoras e trabalhadores mobilização e unidade para defesa dos direitos e interesses da categoria. Portanto, fiquem ligados! Acompanhem as publicações do SinttelRN e participem da campanha salarial!
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