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telefonia.fixaEmbora muitos digam que o cobre está morto, ele resiste em várias tecnologias (xDSL, Gfast), garantindo velocidades cada vez maiores na rede de telefonia fixa. Mas as operadoras, contrárias às metas de universalização da banda larga propostas pela Anatel, discordam especialmente das que as obrigam a, utilizando redes de fibra óptica, implantarem backhaul em todos os municípios que não os possuem. Foi isso o que o representante do Sinditelebrasil, sindicato das operadoras, deixou claro na recente reunião do CGI.br.

Essa postura faz lembrar Schumpeter, autor de uma teoria econômica que parece feita sob medida para desagradar todo mundo. Parece. Para Schumpeter, inovação e crescimento econômico eram a mesma coisa. Países que investissem na inovação ficariam mais ricos, enquanto os demais permaneceriam estagnados. Inovar estava associado à destruição do antigo e à criação do novo.

Os novos contratos de concessão da telefonia fixa, cuja renovação está em consulta pública, representam a inovação destacada por Schumpeter. Nenhuma empresa investirá, preliminarmente, em rede de cobre. Então, as novas redes serão em fibra ótica. Não se trata de um serviço, mas de uma tecnologia. Tecnologia na qual podem trafegar a voz, dados, vídeos, TV por assinatura, etc. O Sinditelebrasil, contudo, insiste em afirmar que o investimento será desincentivado por haver o risco dessas redes serem reversíveis.

Não há risco algum. As novas redes serão reversíveis. O que quer o Sinditelebrasil? Construir um país com uma grande rede de banda larga que fortaleça os serviços públicos ou uma rede apenas para apenas garantir lucro par seus acionistas e/ou sua remessa para o exterior?

A discussão é grave e complexa. E o que nos cabe como sociedade civil? Cobrar que o governo assuma esse debate como essencial. Como já lembramos, não se trata de uma discussão do mercado ou de um governo. É uma discussão de Estado. De democracia. De acesso aos serviços. De fortalecer o país, seu crescimento, reduzir suas desigualdades.

Não tem receita de bolo da vovó. Há a possibilidade de um debate que, por mais conflituoso, precisa acabar numa grande concertação na qual os cidadãos brasileiros sejam a referência, e não apenas um detalhe. Se estamos num processo de ruptura em relação à tecnologia, do cobre para a fibra ótica, ele deve levar à destruição de um modelo concentracionista e garantir que as maiores parcelas da sociedade possam participar do avanço tecnológico, cultural, educacional, informacional.

Esta é tarefa de todos.

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