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orelhão wifiObsoleto, sem uso, só dá prejuízo. Uma conta que não fecha para as operadoras. Foi assim que a edição de 13 de novembro do Jornal Nacional caracterizou os orelhões, numa matéria que destacava a intenção da Anatel de acabar com mais da metade dos telefones públicos das grandes cidades. O fim dos orelhões, “coincidentemente”, é um dos temas da Consulta Pública sobre o novo Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU) que irá vigir de 1º de janeiro de 2016 a 31 de janeiro de 2020.

Na consulta, a Anatel propõe uma redução drástica dos telefones públicos e estabelece, em contrapartida, metas de implementação da infraestrutura de rede de suporte do STFC para conexão em banda larga. Ou seja, determina que as operadoras implantem backhaul em fibra ótica em todos os municípios que não disponham dessa infraestrutura.

Backhaul é como se chama a infraestrutura de rede, de suporte do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) para conexão em banda larga, interligando as redes de acesso ao backbone da operadora.

Contrárias a qualquer cláusula que estabeleça metas de universalização da banda larga, as operadoras só concordam com a primeira parte da proposta da Anatel – a redução do número de orelhões. Deixaram o telefone público ser deteriorado. Não implantaram nenhuma alternativa de modernização, como a proposta de transformá-los em ponto wi-fi, um local para carregamento de celulares. Esconderam a informação de que uma chamada feita de um telefone público é muito mais barata do que de um celular para um telefone fixo.

Nesse cenário, a matéria do Jornal Nacional parece encomendada para fortalecer a posição das concessionárias em detrimento dos interesses da sociedade. Porque apesar da posição das operadoras, o fato é que o telefone público ainda tem um papel importante para sociedade, desde que seja modernizado e funcione com qualidade. Os orelhões não são concorrentes dos celulares, ao contrário, são complementares.

Implantar o backhaul em fibra ótica em todos os municípios brasileiros é fundamental, pois vai ao encontro da universalização das telecomunicações, cuja principal referência é a banda larga. Este é um serviço essencial e, por isso mesmo, não pode ser prestado única e exclusivamente em regime privado.

O Jornal Nacional poderia apresentar esse debate para a sociedade brasileira. Mas é interesse das grandes redes de comunicação? Aí, entramos num outro tema, o da democratização da mídia com respeito à diversidade, à pluralidade de ideias e visões.

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